#EscutaAí | Bloco do Caos

Fala, galera!

Semana passada os meninos da Banda Trama fizeram um sucesso tremendo com o pessoal (principalmente as meninas) e dessa vez eu tenho certeza que o feedback será tão bom quanto o passado. Uma mistura do groove do reggae jamaicano, com as guitarras intensas do Rock’n Roll, a percussão ritmada dos tambores africanos e letras socialmente engajadas que ganham vida nos vocais intensos do Rap. Tudo isso bem amarrado pela ginga malandra da música brasileira. Caos? Talvez, se não fosse a sintonia musical que possui o bloco formado por Ale Casarotto (guitarra e voz), Gui Japa (guitarra e voz), Well Souza (baixo e backing vocals), e Cidão Formigão (percussão). Essa é a banda Bloco do Caos. Com o EP recém lançado (quando eu digo recém, é recém mesmo…. menos de 24h pra ser mais exata!), os meninos descolaram um tempo para trocar uma ideia comigo e comentar sobre os novos projetos da banda (e sim, isso inclui uma colaboração com Toni Garrido do Cidade Negra!!) algumas situações difíceis que tiveram que enfrentar e muito mais!

Então, vamos fazer o seguinte: clique aqui, faça o download do novo EP e só depois leia a entrevista a seguir. Combinado? Te garanto que não irá se arrepender! Eu já fiz meu download e aproveitei pra renovar minha playlist aqui! Ah, não esqueça de deixar seus comentários e divulgar nas redes sociais!

 

ENTREVISTA COM BLOCO DO CAOS

 

1)   É um imenso prazer recebê-los aqui no Blog do Caco depois de um mar de indicações que recebi das bandas que já entrevistei, como o NDK e Bora 8:12 ! Como que aconteceu a formação do Bloco do Caos? Como que vocês se conheceram a perceberam que rolava fazer um som juntos? Demorou alguns anos para chegarem até a formação atual, certo?

Ale: O prazer é todo nosso, agradecemos o espaço pra poder falar um pouco mais sobre a nossa caminhada. Em 2006, iniciei a trajetória com amigos de escola, só para fazer um som, sem muita pretensão. Na nossa primeira banda, o Cidão já estava comigo e eu só tocava guitarra. Em 2009, o Well entrou por meio de anúncio em uma comunidade do Orkut e em 2011 chamamos o Japa, amigo meu de faculdade.

 

Well: Em 2013, depois de uma longa caminhada, sabendo o que realmente queríamos como músicos, entramos de cabeça no projeto Bloco do Caos. Recentemente, tivemos troca de baterista e quem está fazendo um som conosco agora é o Andrew Lee.

 

Lee: É, eu fui o último a entrar no Bloco do Caos. Puta oportunidade pois é a banda mais profissional em que já toquei, me identifiquei com o som e muito com o pessoal. São pessoas com o mesmo ideal que o meu e as ideias bateram muito bem, o que conta muito na sintonia. Os caras são demais, grandes músicos! Maior honra de estar ao lado deles!

 

 

2) Eu sei que o nome “Bloco do Caos” faz referência à atmosfera brasileira (“Bloco” de carnaval), assim como a idéia de que a união dos membros da banda formam um só elemento. Já o “Caos” se remete as diferentes influências na banda, desde Reggae até Rock. Mas, de onde que saiu a ideia para o nome da banda? Digo, vocês estavam buscando algo que englobasse tudo isso ou acabou surgindo naturalmente?

 Ale: Buscamos algo que fosse um nome composto, que tivesse essa referência a algo bem brasileiro, e pudesse traduzir toda nossa influência musical. Fizemos aquela tradicional reunião, começamos a pesquisar músicas e nomes de álbuns de bandas que temos como referência e associamos os álbuns “Bloco do Eu Sozinho”, dos Los Hermanos, ao “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi. Unindo tudo isso saiu o “Bloco do Caos”, que soou bem. Quando começamos a levar ao pé da letra, vimos que tinha muito a ver com a gente por vários significados como você mesmo citou, e como veio de forma natural e despretensiosa, achamos o nome perfeito para traduzir o que realmente é o nosso conjunto.

 

 

3) Vocês sempre tiveram a idéia de que queriam seguir no ramo da música? Haviam outros planos ou sonhos antes de seguirem esse caminho?

Ale: Foi meio natural. Se olho para o passado só lembro de música e futebol…rs… Mas como no futebol estava difícil, fui para o outro caminho….rsrs… Nessa caminhada, sempre tive interesse pela área de criação e me formei como publicitário. Mas o que realmente me faz feliz é a música. Minha família é muito ligada a música. Tenho primo e tios cantores, meus irmãos tinham banda quando eu era adolescente. Comecei a tocar violão com uns 12 anos, montei uma banda de Rock na época de escola, mas bem por brincadeira. Meu primeiro projeto um pouco mais sério, antes dessa caminhada, foi com um grupo de forró, onde tocava violão. Não gostava muito da proposta musical, mas a vontade por ter banda e fazer música começou a surgir ali. Formei a banda em 2006 como disse, dentro de estilos que eu gostava mais e desde então estou firme nessa caminhada e já tive que abrir mão de muitas coisas pra seguir com esse sonho e prazer que é viver de música. Não me arrependo de nada, seria um cara frustrado se fosse diferente.

 

Well: Minhas primeiras aulas de música foram com 5 anos de idade, fiz 9 anos de piano clássico e popular. A música sempre fez parte da minha vida, em casa ouvia soul, funk, r&b. Na adolescência descobri o rock n´roll, onde larguei as teclas e parti pras cordas, daí nasceu o sonho e o desejo de viver da música, ao mesmo tempo fiz minha carreira profissional na área de informática mas nosso sonho é e batalhamos por isso, a música.

 

Lee: Eu sempre fui muito ligado a música, desde muito cedo ouvi diversos artistas que hoje levo como influência. Quando completei 5 anos de idade, comecei a praticar MuayThai por costumes familiares. Aos 13 para 14 anos (ainda treinando thai) tive a oportunidade de montar uma banda no colégio e bateria foi o que restou…rsrs… Comecei a tocar e me apaixonei. Aos 18 anos, me tornei mestre de MuayThai e tinha planos de seguir carreira. Mas a música sempre falou mais alto. Sou apaixonado pelo que faço e lutarei até o final para conseguir chegar onde sempre sonhei, e sei que vamos chegar! Desde então vivo para música e nada me tira esse prazer.

 

 

4)    Qual a melhor parte e a maior dificuldade de estar em uma banda?

Ale: O positivo é que você cria um laço forte com os integrantes e eles passam a preencher grande parte da sua vida, uma parada familiar mesmo. O lado ruim é que, como em toda família, a intimidade gera um certo descuido na maneira como você fala com as pessoas e quando as opiniões são diferentes pode haver algumas discussões. Mas hoje nos respeitamos muito e na maior parte do tempo todos falam a mesma língua. Nosso objetivo é um só, a música, e isso só fortalece a banda para caminhar nessa estrada, que não é nada fácil.

 

Well:  Acho que a maior dificuldade é quando não se existe respeito, o restante foi como o Ale citou, chega uma hora que a parada se torna uma família e é natural que rolem os desentendimentos e coisas do tipo, mas havendo o respeito, tudo se resolve de forma natural e a amizade e o amor pelo próximo sempre prevalecem.

 

 

5)    Qual a situação mais difícil que tiveram que enfrentar como banda? 

Ale: Acho que ela é diária. Você investir no trabalho autoral é difícil, gera muitos gastos e grande parte tem que sair do bolso. Pra você ganhar cachês legais com a banda é preciso muitas vezes buscar um outro caminho que é tocando covers. Não é como planejamos, mas é necessário pra levantar uma verba e poder investir no trabalho próprio. Você se dedica, grava o som com todo cuidado, de forma cirúrgica, elabora toda uma história para videoclipe, mas as vezes não tem o poder pra divulgar como deveria e ele fica parado lá. A visibilidade também gera alto custo. O cenário também não está nada favorável para os estilos que estamos inseridos como o Rock e o Reggae, e os temas também que tratamos nas letras não são tão comuns, o que também dificulta. Mas é aquilo, fazemos o que gostamos e acreditamos muito no nosso trabalho, sabemos que vão ter pessoas que irão se identificar.

 

 

6)    Para alguém que não conhece vocês, como vocês descreveriam o Bloco do Caos?  

Ale: Músicos que fazem um som sincero. Buscamos novas sonoridades, falamos de temas que abordam o ser humano, seja na individualidade como na participação dele no coletivo, e sobre o ambiente no qual estamos inseridos. Temos uma preocupação social e musical, e embora a gente não queira apenar reproduzir o que já existe aí em termos musicais, não nos consideramos totalmente Lado B. O importante é fazer música que seja considerada boa para nós e tenha a nossa verdade, independentemente decomo elapossa ser classificada.

 

 

7)     Pra vocês, qual é a parte mais gratificante em ser músico?

Ale: Em primeiro lugar você poder fazer aquilo que ama. Como dizia Stevie Jobs, trabalhe com o que goste e nunca mais terá que trabalhar. A música sempre esteve muito presente em nossa vida, e você ter aquele processo de criação, algo que você fez, uma arte que você criou e ver as pessoas se identificando, compartilhando da sua mensagem, é muito gratificante. E a liberdade e vibrações que rola na hora de um show, ali em cima do palco, é incrível. Como diria Nietzsche, sem música a vida seria um erro, e estarmos inseridos dentro desse universo é totalmente satisfatório, pena que o mercado não valoriza essa profissão e muitas vezes você é tido como vagabundo, afinal, qual músico nunca ouviu aquela pergunta: “Ahh…você é músico, mas trabalha com o que?”… rs

 

 

8) Tem algum artista ou banda que vocês gostariam muito de poder fazer uma parceria?

Ale: Em uma tacada só, conseguimos realizar dois grandes sonhos ao mesmo tempo. Neste primeiro trabalho autoral tivemos a honra de receber Quino McWhinney, vocalista do Big Mountain, e Toni Garrido, do Cidade Negra. Foi um prazer imenso! Sonho ainda em gravar com o Rodrigo Amarante, Falcão, do Rappa, e meu xará Alexandre, do Natiruts.

 

Well: Tivemos um sonho realizado diretamente em um dos nossos trabalhos como o Ale comentou, se ainda estivessem vivos, seria uma honra poder gravar com Chorão e Chico Science.

 

 

9)  Já teve alguma loucura de fã pra contar? 

Ale: A galera que segue o bloco é bem comportada..rs… Tratamos eles como amigos e é legal saber quem é cada um ali e o porquê de nossa música ter afetado eles de alguma forma. São pessoas com histórias e vidas muito diferentes, e isso é maravilhoso! Claro que é difícil conhecer a todos, mas conseguimos nos aproximar bastante por causa da internet.

 

O legal é ver que existe entre a banda e o pessoal que acompanha uma sintonia e que a galera está se divertindo e apreciando nosso trabalho. Não aderimos muito ao termo fã, pois fanatismo nunca é legal, independente do assunto.

 

 

10)  O que os fãs podem esperar do Bloco do Caos em 2015?  E em relação ao novo EP “Singular” que acabou de ser lançado?

Ale: Em 2015 vamos lançar muita coisa. Além desse EP, que acabamos de lançar, lançaremos também outros singles e videoclipes.

 

Agora, falando do EP Singular, são 5 faixas, com todo aquele caos musical e temas sociais. Resolvemos refazer, sobre outra perspectiva,três músicas de antigos trabalhos, que têm um significado bacana pra nós, e demos uma reformulada nelas, tanto em arranjo como em letra.

 

Abre o CD a faixa “Herói do Morro”, primeiro single lançado, com direito a um videoclipe bem interessante. A faixa 2 é mais Rock’nRoll. “Flores, Anjos e Samurais” foi cedida gentilmente pelo nosso grande parceiro Marcelo Mira, vocalista e compositor do Alma Djem, e é uma música que gostamos e apostamos muito.

 

A faixa 3 é uma já conhecida pela galera que nos acompanhavam em outros trabalhos. “Do outro lado do muro” recebeu uma nova roupagem, principalmente na letra, onde resolvemos deixar mais claro a mensagem para o público.

 

Como diz o Criolo, o bolo da cereja está nas participações especiais de Quinoe Toni Garrido. Eles gostaram muito da mensagem da música, “O Mensageiro”, faixa 4 do EP, e foi muito bacana unir esses dois grandes artistas, um brasileiro e outro gringo, que estouraram nos anos 90,década muito marcante para nós e para a música em geral. Foi uma experiência incrível para nós!

 

 Encerra o disco a faixa bônus “Alta Definição”, primeiro som nosso como Bloco do Caos.

 

 Singular também mostra uma nova fase nossa em termos musicais, com sax e trompete. O EP foi gravado no Chapola Studio em Jundiaí/SP, do Alexandre Chapola, guitarrista do NDK, banda parceira nossa que você citou no começo, assim como o Bora 8:12. A produção foi feita por nós mesmo da banda, com o Chapola pilotando o barco. Foi um clima bem agradável e rolou uma ótima sintonia, o moleque é muito profissional. A masterização ficou por conta do renomado Paulo Anhaia.

 

Acrescentamos muita coisa boa nesse novo trabalho, que contribuiu na construção da identidade do Bloco do Caos. O trabalho é tão especial pra nós que resolvemos homenagear a pessoa mais singular que habituou esse planeta, meu tio Mauro, e todas as pessoas que estiveram com a gente fortalecendo essa nossa trajetória.

 

O trampo está bacana demais e a gente espera que vocês curtam e ouçam sem parar o EP Singular!

 

 

 11) Conforme citou, o primeiro single do EP foi “Herói do Morro” – que traz um clipe extremamente sofisticado e cheio de conteúdo – foi lançado em Março. No clipe, vocês mostram a Ocupação Raiz Libertária, um espaço abandonado dentro do parque Raposo Tavares que, graças ao empenho de alguns jovens da comunidade, foi transformada em centro cultural.No entanto, vocês já tinham conhecimento sobre esta ocupação ou a música os levou até lá?

Ale: Estávamos buscando um espaço pra gravar o clipe até que chegamos no Parque Raposo Tavares. Não sabíamos nada sobre a Ocupação Raiz Libertária, até então. Foi quando o Diego, um dos fundadores do projeto, viu que a gente estava tirando fotos no parque, analisando o ambiente, e perguntou se a gente ia fazer algum trabalho especial. Falei sobre a canção e a mensagem que ela passava. O Diego gostou e nos convidou a conhecer o espaço que ele tinha conseguido com o parque para incentivar música, pintura e arte no geral. Chegamos lá e nos envolvemos com todo o projeto. Mudamos toda a ideia de roteiro que tínhamos e pensamos em fazer algo ali para poder divulgar e fazer com que mais pessoas conhecessem o trabalho da Raiz Libertária. A sintonia foi bem positiva e tudo rolou de forma muito natural.

 

 

 12)  Agora um bate bola bem rápido… preparados? 

 

Um sonho? 

Bloco: Reconhecimento.

 

Um conselho? 

Bloco: Faça o que realmente te faz feliz e seja persistente. Uma hora rola!

 

Não tolera?

Bloco: Falsidade e falta de caráter.

 

Uma virtude?

Bloco: Atitude e pro atividade.

 

Escuta Aí?

Bloco: Herói do Morro, nosso novo som. Pessoas sonhadoras que conquistam seu espaço, mesmo onde a sua atmosfera é totalmente desfavorável.

 

 

12)  Por ultimo, mas não menos importante, vocês gostariam de deixar uma mensagem aos leitores do cacodecastro.com.br e também para seus fãs? Muito obrigada pela entrevista, meninos! Boa sorte!

Bloco: Nós que agradecemos mais uma vez o espaço para poder falar um pouco mais sobre nosso trabalho e ter essa conversa agradável. Para os que acompanham a coluna, espero que tenham curtido, se interessado a ouvir nosso som e entender melhor nossa proposta. Acabamos de lançar nosso novo EP, “Singular”, esperamos que vocês ouçam e quem curtir compartilhe esse novo trabalho, pois nada como o ancestral boca a boca pra espalhar nosso som por ai. Nos acompanhem em nosso site e redes sociais. Valeu galera, juntem-se a esse Bloco! #eusoudobloco

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Marcella

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sobre o autor

Marcella Monteiro
Marcella Monteiro

Apesar de estar cursando Engenharia, sempre foi fascinada por fotografia e todo gênero de música. Engajada em manter as pessoas bem informadas, já se envolveu em diversos sites de notícia e projetos sociais.

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